Arquivo da Categoria Reflexões

[republicado] A notícia publicada pela BBC, de que a palavra saudade foi colocada em sétimo lugar numa lista das palavras mais difíceis de traduzir, em todas as línguas, repercutiu bastante nos blogs brasileiros. Dezenas deles republicaram o texto.

Como qualquer lista, esta pode ser questionada, mas o fato de chancelar uma antiga crença brasileira, de que temos uma palavra que é só de nossa língua “e de mais ninguém”, fez com que a notícia fosse aceita sem reservas.

Lembro de estar, há alguns anos, numa roda de amigos estrangeiros, alguns conhecedores do português, e citar essa questão da singularidade da palavra “saudade”. Para minha surpresa, a maioria achou que o sentido descrito por mim era comum a qualquer língua.

Algum tempo depois, a revista Bravo publicou um artigo de Sérgio Augusto, “Saudades do Brasil”, onde ele refuta categoricamente o que chamou de “nosso maior orgulho lexical”. Vale a pena ler o longo trecho abaixo.

Foi nas caravelas dos séculos 15 e 16 que a saudade (o sentimento, não a palavra) mais pegou carona; se bem que, em alguns périplos, tivesse outro nome, de origem grega: nostalgia, junção de dor (algia) com a distância da terra natal (nostos). Já no século seguinte, ela (a palavra, não o sentimento), ganharia seus primeiros exegetas, Duarte Nunes de Leão e dom Francisco Manoel de Melo. Se e quanto foram beber em Plotino, “o filósofo da pátria deixada”, talvez o primeiro a refletir sobre as inefáveis sensações ateadas pela nostalgia, não sei dizer.

Embaçada por um étimo nebuloso, que remete à solidão latina (solitas) e à melancolia árabe (saudah), saudade foi soidade e nessas duas formas fez sua estréia triunfal em Os Lusíadas. Tal coincidência não nos autoriza a achar que ela fizesse parte do projeto político do descobrimento, até porque os portugueses não foram os únicos a descobrir que navegar é preciso. A vizinha Espanha fez a mesma coisa — assim como, antes dos ibéricos, o fizeram os fenícios, os viquingues, os gregos e os romanos — e nem por isso os espanhós estabeleceram ligações do sentimento de saudade com o imperialismo ou o império castelhano. Mesmo respeitando vários dos intelectuais que consideram a saudade “a tradução poético-ideológica do nacionalismo místico português”, como, por exemplo, o ensaísta Eduardo Lourenço, cujo alentado ensaio “O Labirinto da Saudade” já emplacou quatro ou cinco edições pela Dom Quixote, o escritor José Saramago sempre que pode dá um chega-pra-lá na saudologia. Este ele deu na Folha de S. Paulo, cinco anos e meio atrás:

“Parece que se está fazendo de Portugal um país único, privilegiado, com certo tipo de relações com o espaço e tempo. Não estamos sós na história com sentimentos, atitudes e filosofias que nos sejam próprios, decorrentes de termos feito descobrimentos e de sermos um povo com uma relação muito direta com o mar. No interior de Portugal, onde sempre vivemos, há pessoas que nunca viram o mar, nem nunca o hão de ver. A saudade é um sentimento comum a toda a espécie humana”.

O que vale dizer que todas as línguas deste planeta têm a sua maneira peculiar de expressar aquela dor que, segundo Elano de Paula, o letrista de “Canção de Amor”, a gente não sabe de onde vem. Que superioridade (moral, etimológica, cultural) tem a palavra saudade sobre o banzo dos negros africanos?

Na segunda década deste século [o texto é de 98], a filóloga lisboeta Carolina Michaelis de Vasconcellos não só trouxe a público vocábulos afins a “saudade” garimpados no galego, no castelhano, no asturiano e no catalão, como pinçou em Goethe uma notável familiaridade entre saudade e sehnsucht. Além de provocar polêmicas com aqueles que piamente acreditam numa distinção entre o doce sentimento português e a ansiedade metafísica alemã embutida em sehnsucht, a filóloga caiu nas garras zombeteiras de Camillo Castelo Branco. Mas ela, e não seus adversários, liderados pelo poeta panteísta Teixeira de Pascoaes — para quem “o povo português criou a saudade porque ela é a única síntese perfeita do sangue ariano e semita” (uau!) –, é que tinha razão.

Posteriormente, o autor se referiu en passant ao assunto em outro texto, publicado no Estado de São Paulo, e republicado no Digestivo Cultural.

Publicado originalmente em 27 de junho de 2004. Republicados sete comentários feitos via HaloScan.

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Se há uma coisa que me irrita num filme, é quando algum significado em uma cena já ficou totalmente claro, através de frases, olhares ou gestos, e depois alguém (um dos personagens, ou a narração em off) “explica” ao espectador aquilo que ele já entendeu…

Phillip e Erik (Reprise)

O longa de estréia do norueguês Joachim Trier, Reprise, tem uma cena assim. Um dos protagonistas, o jovem escritor Erik, encontra seu ídolo literário, Sten Egil Dahl, num evento, e o aborda na saída do prédio.

O velho escritor é um homem recluso, mas dá uma chance ao rapaz, por causa da abordagem um tanto solene e respeitosa. Mas antes que Erik possa falar, aparece um conhecido dele, Mathis, espécie de filisteu literário, que também tenta falar com Dahl, mas de um modo frívolo, que denota o cabeça-de-vento que é.

Dahl olha com contrariedade e dá um jeito de se despedir dos dois rapazes, sem lhes dar muita atenção. Foi Mathis que arruinou uma possível conversa, mas é claro que daí em diante Erik também ficou registrado por Dahl como “pessoa a se evitar”.

O que temos logo em seguida? O narrador do filme dizendo que “na cabeça de S. E. Dahl, Erik e Mathis eram agora inseparáveis”. Ó raios! Terrível mania de alguns autores de achar que os espectadores são incapazes de chegar a conclusões simples como essa…

À parte esse comentário lateral, trata-se de um bom filme. Não vou resenhá-lo aqui, apenas dizer que é uma história bem contemporânea, sobre dois jovens amigos escritores, Erik e Phillip, vista sob um ótica de frieza e cinismo típicos da juventude intelectual urbana.

Não há melodrama, e talvez essa frieza, o vazio interior e a desesperança dos rapazes se deva a alguma idéia de “paraíso perdido”, um tempo de ingenuidade e alegria que se foi após um terrível colapso nervoso de Phillip, o mais brilhante deles.

Vale a pena conferir. Pra variar, não há previsão de lançamento no Brasil.

Download: BitTorrent e eMule
Legendas: em português e inglês

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E quando tudo parecia tranquilo, quando as coisas se encaminhavam para resoluções racionais e acertadas, quando a vida corria sem pressa (sic), e podíamos ver os incríveis pôr-do-sol desse maio maravilhoso, certos de que, no dia seguinte, eles ainda estariam lá, bem, quando não havia novidades, e isso era ótimo, eis que acontece de novo.

Quando você se apaixona, todos os clichês possíveis te vêm à mente. “Atropelado por um trem desgovernado”. Depois de séculos de canções de amor, não é possível dizer algo novo. Mas isso Coelet já dizia há milhares de anos…

Ficar idiota, fazer loucuras em série, deplorar cada momento em que não está com a pessoa amada, torna-se a rotina, aquela rotina que você não estava querendo reviver (ou pelo menos queria que ela não aparecesse agora, neste momento), porque você estava se sentindo bem como estava, dormindo no chão pra não cair da cama.

Pois hoje você dorme em redes penduradas nas estrelas, e todos os dias quando acorda você cai da rede de uma altura que nem poderia suportar — mas suporta. Você não morre. Você é duro, José.

Nessas horas, eu só consigo escutar Radiohead.

(clique para ouvir)

Radiohead - True Love Waits

I’ll drown my beliefs
To have you be in peace
I’ll dress like you please
To wash your swollen feet

Just don’t leave
Don’t leave

I’m not living
I’m just killing time
Your tiny hands
Your crazy kitten smile

Just don’t leave
Don’t leave

And true love waits
In haunted attics
And true love lives
On lollipops and crisps

Just don’t leave
Don’t leave

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Quando a TV começou a passar, há alguns anos, vários filmes de propaganda contra as drogas, o tom era aquele dos anos 50: as drogas são o bicho papão, cuidado com seus filhos, etc. O slogan final: drogas, nem morto.

O cheiro de naftalina era evidente, e não podia dar certo, né? Qualquer pai ou mãe prefere um filho drogado a um morto. Ciente disso, a entidade responsável pela campanha mudou o enfoque, passando a dizer que quem usa drogas financia a violência do tráfico — discurso muito bem elaborado que hoje é repetido que nem papagaio por um monte de gente. Uma forma higienizada e moderna de demonizar o usuário.

A cocaína era vendida em farmácias no Brasil até a década de 1930. Na época o usuário não financiava a violência, porque os circunspectos boticários não precisavam se esconder em favelas e trocar tiros para garantir o seu honesto negócio de vender drogas.

Ou seja, a violência não é gerada pela existência de pessoas dispostas a comprar a droga, mas pela proibição do Estado.

Vamos fazer uma divisão de águas. Se você acha que usar drogas, em si, é algo tão horrível que mereça ser considerado crime, mesmo que não gere prejuízo a ninguém a não ser o próprio usuário, pare de ler agora mesmo. Não se preocupe, Deus protege os inocentes e também os obtusos, e com certeza se apiedará de sua alma.

Mas, se você acha que usar ou não drogas é uma decisão exclusiva da esfera individual de cada um, e mesmo assim repete esse discurso fajuto de usuário financiando violência, tem alguma coisa errada.

A idéia de que o cada um é responsável por si mesmo, ou seja, o primado da consciência individual, é um dos alicerces do Liberalismo, e este não foi um movimento de Ursinhos Carinhosos que pediram licença ao Estado opressor para ter liberdade de fazer o que bem entendiam. As revoluções burguesas mostraram que, se o Estado é injusto, o melhor a fazer é derrubar o Estado e fundar outro.

Mas agora, vejo gente inteligente achando que os usuários têm que ser uns Ursinhos Carinhosos, pedindo licença ao Estado para exercer o direito básico de consumir o quem bem entendem.

Não, meus amigos, quando o Estado te impede de exercer um direito, você pode até se conformar, se for um banana, mas se tiver hombridade, você tem o direito e até o dever de confrontar esse Estado.

E isso inclui, sim, dar dinheiro ao bandido, se for a única maneira. Digamos que eu seja um cubano querendo fugir de Cuba, e só quem pode me tirar de lá seja um mafioso daqueles de filme. Eu não tenho o direito de exercer a minha liberdade, só porque o meu dinheiro vai pra um bandido? Claro que tenho.

Todos sabem que na época da Lei Seca norte-americana a Máfia se fortaleceu com o comércio ilegal de uísque. Foi só permitir de novo o consumo que essa fonte de financiamento do crime secou.

Eu quero fazer àqueles que põem o dedo na cara dos usuários de drogas ilegais, mas tomam sua cervejinha nas sextas-feiras, a seguinte pergunta: se o Estado o proibisse de tomar a sua cerveja, você acataria? Deixaria de tomá-la?

Se a resposta é não, você é um hipócrita. Se a resposta é sim, você é um cordeirinho da violência do Estado.

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Jorge de Anicii, o Cavaleiro de Cristo, descansa permanentemente em lugar de honra na minha mesa de trabalho, com sua pose mais gloriosa.

Dona Amparo, sabendo-me devoto do santo, e tendo conhecimento de que o devoto não deve comprar a imagem, mas ganhá-la de presente, trouxe-me-a de uma viagem a Aparecida. Tenho uma outra, maior, presente de um amigo, mas ainda não pude buscá-la.

Hoje, 23 de abril, é o dia de São Jorge. O santo guerreiro teria morrido há exatamente 1.704 anos, mas… a verdade histórica é o que menos importa, baby. Não se faça de bobo acreditando na infinidade de lendas sobre ele.

Pense no que ele representa no coração das pessoas; isso sim é importante. O espírito indômito. O inconformismo contra as injustiças. A coragem de enfrentar os poderosos. A força, a elegância, a graça.

Prestar esse louvor não faz de ninguém carola ou cúmplice de uma igreja corrupta. Jorge foi entronizado pelo povo e não por uma malta de bispos. Caso único na história.

Padroeiro de tantas cidades e países, é amado na Catalunha, e uma experiência inesquecível foi estar num 23 de abril desses na festa de Sant Jordi (seu nome catalão) em Barcelona.

Como homem sábio que era, Jordi patrocina também a cultura, e por ter salvo sua amada do dragão, abençoa o amor romântico. Na Catalunha seu dia é também o dia do livro e o dia dos namorados, e todos se dão livros e rosas de presente.

As vias públicas da bela capital ficam abarrotadas de banquinhas vendendo os presentes, que em tempos menos afeitos à igualdade sexual eram mais específicos: as moças ganhavam as rosas, e os rapazes os livros. Como já se sabe que elas não são imunes à inteligência e nem eles ao amor, ganham-nos hoje indistintamente.

Naquele 23 de abril, dei dois livros e ganhei um, que guardo até hoje (La ciudad de los prodigios, de Eduardo Mendonza); dei uma rosa e ganhei duas. Fui às missas e aos folguedos, e tenho me sentido, sempre, vestido e armado com as armas de Jorge. Vendo facas e lanças se quebrarem antes de chegar a mim, e sabendo que ninguém nem em pensamento pode me fazer mal.

Jorge da Capadócia
(Jorge Ben)


(clique no botão de play para ouvir)

Jorge sentou praça na cavalaria
Eu estou feliz porque eu também sou da sua companhia
Eu estou vestido com as roupas e as armas de Jorge
Para que meus inimigos tenham mãos e não me toquem
Para que meus inimigos tenham pés e não me alcancem
Para que meus inimigos tenham olhos e não me vejam
E nem mesmo um pensamento eles possam ter para me fazerem mal

Armas de fogo, meu corpo não alcançarão
Espadas, facas e lanças se quebrem, sem o meu corpo tocar
Cordas e correntes se arrebentem, sem o meu corpo amarrar
Pois eu estou vestido com as roupas e as armas de Jorge

Jorge é de Capadócia, viva Jorge
Jorge é de Capadócia, salve Jorge

Perseverança ganhou do sórdido fingimento
E disso tudo nasceu o amor

(a letra da música é uma adaptação da oração do santo)

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Sandman e Morte

Saint-Clair Stockler pergunta, perplexo com a morte do jogador no meio da partida:

Então é isso a morte? Num segundo você está bem, no meio de uma partida de futebol, e de repente estremece, tomba e está morto?

E eu fico me lembrando de uma das mais lindas histórias de Sandman, onde ele acompanha sua irmã Morte em sua faina cotidiana de levar as pessoas desta para melhor. Em determinado momento ela pega um bebê do berço e o leva. O bebê pergunta: “é só isso?” e ela responde: “é”.

Sandman está em crise existencial sobre sua própria função no mundo. Mas a forma mansa como sua irmã desempenha seu mister o acalma, e ao final ele faz algumas reflexões:

O som de asas… Eu me descubro especulando sobre a humanidade. A atitude deles quanto à dádiva da Morte é tão estranha… Por que eles temem as terras sem sol? É tão natural morrer quanto nascer. Mas eles a temem. Têm terror. Debilmente tentam aplacá-la. Eles não a amam.

Muitos milhares de anos atrás, eu ouvi uma canção num sonho, uma canção mortal que celebrava a dádiva dela. Eu ainda me lembro dela:

“A morte está diante de mim hoje:
como a recuperação de um doente,
como ir para um jardim após a doença

A morte está diante de mim hoje:
como o odor de mirra,
como sentar-se sob uma vela num bom vento

A morte está diante de mim hoje:
como o curso de um rio,
como a volta de um homem da galera para a sua casa

A morte está diante de mim hoje:
como o lar de um homem que anseia por ver,
após anos passados como um cativo”

Aquele poeta esquecido compreendia as dádivas dela. A Morte tem uma função a realizar. E eu tenho responsabilidades. Eu caminho ao lado dela, e as trevas se levantam da minha alma. Eu caminho com ela, e ouço o suave bater de suas poderosas asas…

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Por que eu demoro pra responder os comentários que deixam aqui no blog? Por que eu deixo de postar por um mês, sendo que passo pelo menos cinco horas por dia na net? Por que às vezes, quando alguém que eu nem conheço linka pra cá, sequer deixo um agradecimento em resposta? Por que eu nunca consigo escrever sobre as coisas que realmente me interessam? Por que todos os textos são longos e cheios de clichês? Por que a letra do template é tão grande que cada texto sempre parece um jornal?

Eu não sei por que, mas fico me lembrando disso aqui:

Tenho também meditado sobre a [minha] casa. Todas as partes da casa existem muitas vezes, qualquer lugar é outro lugar. Não há uma cisterna, um pátio, um bebedouro, um pesebre; são catorze (são infinitos) os pesebres, bebedouros, pátios, cisternas. A casa é do tamanho do mundo; ou melhor, é o mundo. (…)

Um após outro caem sem que eu ensangüente as mãos. Onde caíram, ficam, e os cadáveres ajudam a distinguir uma galeria das outras. Ignoro quem sejam, mas sei que um deles, na hora da morte, profetizou que um dia vai chegar meu redentor. Desde então a solidão não me magoa, porque sei que meu redentor vive e que por fim me levantará do pó. Se meu ouvido alcançasse todos os rumores do mundo, eu perceberia seus passos. Oxalá me leve para um lugar com menos galerias e menos portas. Como será meu redentor?”

E mais não cito, pois estragaria o melhor conto de Jorge Luís Borges. Acrescento apenas que quando me vêm algumas perguntas amontoadas, não me incomodo tanto, pois sei que meu redentor já pisa o mesmo chão que eu. Talvez eu o encontre breve; talvez demore ou eu nunca o veja; talvez eu já o tenha conhecido e não soube quem era. Mas ele já pisa o mesmo chão, e isso por enquanto é mais do que suficiente.

* * * * * * * *

Borges põe acima um pedacinho do Livro de Jó. Eu ainda não tinha lido o livro, antes de ver essas palavras num cartaz barato de um bar imundo. Parece perfeito para um êxtase religioso pós-moderno, não? Mas só deixou aquele aturdimento de olhar por cima de um muro e ver uma paisagem a perder de vista, sem ter como chegar a ela.

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