Arquivo da Categoria Quadrinhos
Este post não foi escrito por mim, mas por Neil Gaiman, um dos maiores autores de quadrinhos da atualidade. É uma história de Sandman, o mestre dos sonhos. Vou resumir a bizarra odisséia do sábio e magnânimo rei Haroun Al Raschid em algumas poucas imagens.

“Saiba então que este é um conto de Baghdad, a Cidade Celestial, a jóia das Arábias, e que aconteceu no tempo de Haroun Al Raschid, Rei dos Reis, Príncipe dos Fiéis”.
O rei promove um grande reinado. Hospeda os maiores sábios e artistas de seu tempo, e acolhe cidadãos de todas as religiões do livro. Judeus e cristãos vivem em paz sob o seu jugo.

“Até mesmo seus filósofos admiravam-se da sagacidade de seus veredictos. Sob seu domínio, a cidade prosperou e toda a Arábia desabrochou e floresceu”.
“Mas Haroun Al Raschid tinha a alma perturbada”.
O rei conhece a finitude das coisas, e sabe que o destino de sua próspera capital é a destruição e o oblívio. Por isso, procura um conselho do sobrenatural, e acaba se deparando com o mestre dos sonhos em pessoa.

O rei faz uma oferta insólita, para salvar a si mesmo e à cidade que tanto ama.
“Proponho dar-lhe esta cidade. Minha cidade. Eu submeto à sua oferta. Leve-a para os sonhos. Em troca, eu quero não morrer jamais”.
Sandman aceita a oferta, e o rei acorda no chão do mercado, longe de seu palácio. Um serviçal o acode e o está levando de volta, quando encontram um homem segurando um objeto bem estranho.

É o próprio Sandman, que não é reconhecido pelo rei. Ele lhe mostra uma garrafa com prédios dourados em miniatura.
“É uma cidade. Foi cedida a mim. E não está mais à venda”.

Muitos séculos depois, um menino ouve a história de um velho, em troca de uma moeda. Quando este lhe pede outra moeda e o menino não tem, nega-se a contar o final.

“Assim, Hassan cambaleia para casa, escolhendo seu caminho através das áreas bombardeadas e as ruínas de Baghdad“.

“Por trás de seus olhos estão as torres, as jóias, os djins, os tapetes, os anéis, os afreets, os reis, os príncipes e as cidades de bronze”.
“E ele roga enquanto caminha, roga para Allah (que fez todas as coisas) pedindo que, em alguma parte, nas trevas dos sonhos, encontre-se a outra Baghdad (a que não pode morrer) e o outro ovo da Fênix”.

“Allah sabe a resposta”.
(esta história — Sandman nº 50 — foi escrita em 1991, durante o penúltimo estupro da grande cidade pelos cruzados modernos. Está mais atual do que nunca)
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Saint-Clair Stockler pergunta, perplexo com a morte do jogador no meio da partida:
Então é isso a morte? Num segundo você está bem, no meio de uma partida de futebol, e de repente estremece, tomba e está morto?
E eu fico me lembrando de uma das mais lindas histórias de Sandman, onde ele acompanha sua irmã Morte em sua faina cotidiana de levar as pessoas desta para melhor. Em determinado momento ela pega um bebê do berço e o leva. O bebê pergunta: “é só isso?” e ela responde: “é”.
Sandman está em crise existencial sobre sua própria função no mundo. Mas a forma mansa como sua irmã desempenha seu mister o acalma, e ao final ele faz algumas reflexões:
O som de asas… Eu me descubro especulando sobre a humanidade. A atitude deles quanto à dádiva da Morte é tão estranha… Por que eles temem as terras sem sol? É tão natural morrer quanto nascer. Mas eles a temem. Têm terror. Debilmente tentam aplacá-la. Eles não a amam.
Muitos milhares de anos atrás, eu ouvi uma canção num sonho, uma canção mortal que celebrava a dádiva dela. Eu ainda me lembro dela:
“A morte está diante de mim hoje:
como a recuperação de um doente,
como ir para um jardim após a doença
A morte está diante de mim hoje:
como o odor de mirra,
como sentar-se sob uma vela num bom vento
A morte está diante de mim hoje:
como o curso de um rio,
como a volta de um homem da galera para a sua casa
A morte está diante de mim hoje:
como o lar de um homem que anseia por ver,
após anos passados como um cativo”
Aquele poeta esquecido compreendia as dádivas dela. A Morte tem uma função a realizar. E eu tenho responsabilidades. Eu caminho ao lado dela, e as trevas se levantam da minha alma. Eu caminho com ela, e ouço o suave bater de suas poderosas asas…
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Legal a potoca, né? Gosto muito do trabalho do Allan Sieber.
Não achei a piadinha ofensiva aos cristãos. É mais uma tiração de sarro com o tatibitate da geração MTV, mas mesmo assim recebeu uma enxurrada de mensagens, entre iradas e “piedosas”, de centenas de cristãos ofendidos.
Tudo “normal”, exceto pelo fato de que esse tipo de gente não freqüenta blogs de humoristas iconoclastas. No máximo vêem o Casseta e Planeta e acham que aquilo sim é que é escracho. Nem li sobre o fato, mas tenho certeza que a charge ficou, por um tempinho (duas horas, se tanto), na página inicial do UOL, que tem uma audiência absurda. Para centenas de cristãos assinantes ou apenas visitantes do portal, foi uma coisa pá-pum ver o desenho, se indignar, dar dois cliques e um esculacho no autor.
Isso já aconteceu também com Álvaro Pereira Junior, colunista do caderno Folhateen da Folha de S. Paulo, que escreveu um texto, comentando as novas estripulias de Michael Jackson, cuja chamada foi parar na home do portal. Ele publicou uma outra matéria comentando o fato, e falando sobre as centenas de e-mails que recebeu por conta da inesperada popularidade:
Não encontrei uma opinião inesperada, uma crítica bem-fundamentada, um texto com bom humor. Só o de sempre: mensagens cristão-moralistas, platitudes sobre a vida, elogios nada a ver, xingamentos idem.
Alguém já falou que, nesse mundo moderno, sobram opiniões e faltam idéias. É o que se vê nos fórums do Globo Online e nas caixas de comentários do Ricardo Noblat. Quando alguém tem idéias a apresentar, que não sigam estritamente o senso comum, e consegue alcançar uma audiência razoável, é logo chamado de “provocador”…
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A notícia ainda não foi confirmada oficialmente, mas um boato fortíssimo sacudiu a internet dando conta que o desconhecido ator Brandon Routh (foto) foi escolhido para o papel de Kal-El no novo filme do homem de aço.
O diretor Bryan Singer (X-Men 1 e 2), deu uma entrevista posterior à divulgação da notícia e não a desmentiu, o que pode ser um sinal de que ela é verdadeira. O diretor já tinha descartado a escalação de Jim Caviezel (A Paixão de Cristo), alegando que pretendia um ator desconhecido para o papel.
Routh fez apenas algumas participações em programas de TV na gringolândia. Seu pequeno site oficial está quase o tempo todo fora do ar, em função do imenso acesso que deve estar sofrendo.
O curioso é que existem lá fotos dele vestido de Clark Kent, tiradas durante uma festa de Halloween. A que aparece nesta post é uma montagenzinha feita no Photoshop pelo autor destas linhas.
Talvez ele seja um pouco jovem, mas, sejamos sinceros, ele não convence como Clark? Respostas para a redação, quer dizer, para os comments.
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Batman Begins é o novo filme do justiceiro mascarado de Gotham. Como o próprio nome indica, trata-se de um recomeço de sua história, depois de quatro filmes que, apesar do sucesso comercial, deixaram muito a desejar como adaptação da mitologia do herói.
O filme está sendo rodado nesse exato momento, e tem lançamento previsto para 2005. O diretor é o talentoso Christopher Nolan, de Amnésia. Bruce Wayne será vivido pelo respeitado mas pouco conhecido Christian Bale (de Psicopata Americano). O elenco é uma constelação de astros: Michael Caine (como o mordomo Alfred), Gary Oldman (tenente Gordon), Morgan Freeman, Liam Neeson, Rutger Hauer, e os emergentes Ken Watanabe (O Último Samurai), Cillian Murphy (Extermínio) e Katie Holmes (Vamos Nessa). O roteiro foi considerado à altura do clima original do personagem.
“Tá tudo muito bom”, mas eu não me sentia tranqüilo com o destino do meu ídolo dos quadrinhos até ver respondida a pergunta: como vai ser o uniforme do Batman? Depois daquela armadura estilo Robocop, e do inacreditável uniforme com mamilos em alto-relevo de Robin, era melhor colocar as barbas de molho.
Mas, como vocês puderam ver na abertura desse post, não há o que temer. O novo uniforme do homem-morcego, mostrado na foto publicada com exclusividade pela revista Newsweek, é quase uma cópia do layout imortalizado por Neal Adams nos quadrinhos dos anos 70. A roupa ficou apenas ficou mais escura e ganhou uma nova versão do clássico logotipo.
A magistral série desenhada por Adams e roteirizada por Danny O’Neal foi publicada aqui nos anos 80 pela editora Abril, e era uma tentativa de redefinir o personagem depois da esculhambação kitsch da série de TV. Ao mandar Robin para a faculdade e caracterizar Batman como um solitário detetive ao estilo noir, os autores resgataram o clima sombrio das primeiras histórias do morcego, que, como se sabe, adotou esse nome e uniforme para aterrorizar seus inimigos.
Com isso, prepararam o personagem para a revolução das décadas seguintes, quando Frank Miller (Cavaleiro das Trevas e Ano Um), Alan Moore (A Piada Mortal) e Grant Morrison (Asilo Arkham) desconstruíram o herói, tornando-o no mínimo um homem muito perturbado, e no limite um louco proto-fascista.
Não se espera que Batman Begins chegue tão longe, mas que pelo menos nos faça esquecer das canhestras tentativas de Tim Burton e companhia. Elas empobreceram o personagem ao recriá-lo sem conflitos existenciais, mesmo se tratando de alguém que se transformou em justiceiro para se vingar de uma tragédia, o assassinato de seus pais (cena omitida antes, mas que integrará o novo filme).
Não funcionou também a direção de arte exagerada e rococó dos filmes anteriores, e os vilões estavam sempre a dois milímetros da paródia deslavada. Dessa vez, Gotham será uma espécie de Nova York realista e ultra-tecnológica, e Ken Watanabe viverá o vilão Rã’s Al Ghul, desconhecido do grande público mas presença de impacto nos quadrinhos, inclusive na série de Adams e O’Neal: um magnata oriental com conhecimentos místicos, que descobre a identidade secreta de Batman. Cillian Murphy terá um pequeno papel como o Espantalho, mas parece que só vestirá sua assustadora fantasia no segundo episódio.
É esperar para ver. Estou tentando, sem muito sucesso, não ler cada linha que sai publicada sobre o novo filme. Talvez o ideal seja esquecer de tudo isso e só acordar para o fato em 2005. Mas tá difícil.
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