Arquivo da Categoria Blog

Surgiu uma questão interessante a partir de um comentário que eu fiz neste post do Solon, onde ele falava do FriendFeed, um novo serviço que permite você reunir em um só lugar suas postagens em diversos sites diferentes (blogs, Flickr, StumbleUpon, etc).

Eu senti falta de uma explicação de por que o site é interessante, e ele respondeu que há muita informação sobre o assunto na internet.

É verdade, mas o barato dos blogs é se informar através deles, porque não temos tempo de ler tanta notícia e os blogs refinam isso. Faço um controle rigoroso dos feeds assinados no Google Reader, pra não ficar com coisa em excesso pra ler, e ter só os mais relevantes na lista.

Quando vou escrever, parto do princípio que uma parte dos assinantes do meu próprio feed não conhece ou não tem uma opinião sobre o assunto tratado, então sempre faço um lead ou um pequeno resumo introdutório.

O Solon admite que não gosta muito de fazer resumos (e ele tem todo o direito de não gostar), mas eu acho que é a partir deles que a gente consegue interessar o leitor. Se ele tiver que ler vários links para ficar minimamente informado, talvez simplesmente não tenha tempo pra isso.

Comments Nenhum Comentário »

Ao comentar a invasão do Equador pelo exército da Colômbia, Pedro Doria foi tão condescendente com a violação da soberania alheia que teve depois que se explicar para os leitores. A emenda foi pior que o soneto: algo do tipo “a Colômbia invade, mas a Venezuela também”. E socorreu-se de uma notícia falsa, a suposta invasão de território brasileiro pelo exército venezuelano há alguns meses.

A fonte da notícia foi esta matéria da tal Agência Amazônia, um órgão de imprensa sem muito critério e já devidamente desmascarado por mim neste post, quando já tinham levado a erro um outro senador (Artur Virgílio) com outra notícia falsa.

O que diz a mirabolante matéria da agência?

FLÓRIDA, EUA - Helicópteros e outras aeronaves do Exército da Venezuela fizeram sobrevôo ilegal dentro do espaço aéreo brasileiro e chegaram inclusive a pousar numa aldeia indígena, em Roraima, no dia 8 de agosto passado. A denúncia foi feita por lideranças do povo Ianomami, em carta endereçada às autoridades brasileiras.

Os líderes manifestam sua preocupação porque acreditam que os militares do país vizinho estão apoiando garimpo dentro da area indígena. A violação do espaço aéreo, seguido do pouso do helicóptero das Forças Armadas da Venezuela aconteceu na aldeia de Xitei e foi presenciada por representantes do Ministério Público Federal e da Diocese de Roraima que estavam em visita aos índios.

Quer dizer: várias aeronaves estrangeiras pousam em território brasileiro, representantes do Ministério Público e da igreja vêem, e ninguém diz nada? Ficam em silêncio? Nem ligam pra contar o fato a seus superiores?

A matéria se baseou integralmente na tal carta da liderança ianomâmi, e nenhum repórter da agência checou os fatos junto à diocese ou ao Ministério Público. O que temos é uma carta provavelmente falsa e mais um exemplo de “como não se fazer jornalismo”.

E é esta a fonte em que o Pedro se baseia para justificar o ato criminoso do exército colombiano…

Comments 20 Comentários »

Como muitos de vocês devem saber, a revista Veja está sendo dissecada pelo Luis Nassif em uma série de artigos brilhantes, que mostram como ela publica informações deliberadamente falsas para atingir inimigos, em nome de escusos interesses comerciais.

Mostrar que a Veja não é um órgão de imprensa, mas um pasquim de difamação, é uma tarefa que transcende questões políticas ou ideológicas. A Veja não é ruim porque defende esta ou aquela idéia, mas porque dá ares de verdade a mentiras cuidadosamente fabricadas.

O dossiê do Nassif é o exemplo mais bem acabado de jornalismo independente, investigativo e crítico. Nenhum órgão de imprensa teria coragem de publicá-lo, por isso ele está numa página gratuita e conta apenas conosco, que acreditamos em informação dada com honestidade, para divulgá-lo.

Como você deve reparado, os links deste post não dão para o site da revista, mas para o dossiê. Isso chama-se google bombing, e este post é uma adesão à campanha do Bender Blog. Você que tem um blog ou apenas posta em fóruns abertos, e quiser ajudar, basta fazer um link com a palavra Veja e colocar como destino o endereço:

http://luis.nassif.googlepages.com

Se tudo der certo, o usuário que buscar por Veja no Google achará o dossiê do Nassif entre as primeiros resultados.

(via Pensar Enlouquece)

Comments 5 Comentários »

Num dos posts recentes sobre política, recebi um comentário de uma moça que escrevia “vc” em lugar de “você” e aparentemente não sabia pontuar. Eu ia deixar o comentário lá e fazer uma pequena resposta, até que cliquei para ver o blog dela.

Ele era supostamente escrito por um casal de petistas fanáticos, daqueles que acham que tudo que se fala contra Lula é conspiração das elites ou coisa que o valha. Até aí tudo bem, analfabetismo funcional não distingue coloração ideológica mesmo.

Mas o blog ultrapassava todos os limites da caricatura. O casal de articulistas tinha o que se chama de “nome de pobre”, e no primeiro post a moça dizia que começou a escrever o blog a pedido de um amigo, agora que estava freqüentando “a lan house que ele fez no puxadinho”.

Aí caiu a ficha e eu me lembrei de um conhecido blogueiro reaça, com alguns livros publicados, que já confessou uma vez ter feito um blog fingindo ser um petista idiota. Parece que alguém gostou da idéia e o imitou.

O que leva alguém a perder tanto tempo com uma bobagem dessas, é algo difícil de entender. Talvez tenha tempo em excesso mesmo. Talvez seja a forma de expor seus preconceitos usando da garantia do anonimato. “Mamãe, olha como eu sei fazer piada de pobre”.

Apaguei o comentário e disse à autora que nunca mais aparecesse aqui. Um pouco depois, o seu colega (que deve ser a mesma pessoa) veio me dizer que não devíamos brigar, que “a esquerda não devia se dividir”, afinal “os nossos inimigos são os mesmos e são fortes”.

Apaguei de novo, é claro. O problema do esperto é achar que todo mundo é otário.

Comments 40 Comentários »

O Velho do Farol está de novo endereço, finalmente num domínio próprio. A mudança deveria ter acontecido há pelo menos dois meses, mas eu estava batendo cabeça para importar os comentários do HaloScan.

Depois desencanei, porque ainda vai demorar algumas semanas ou meses para o plugin funcionar, já que ele não foi atualizado para a nova versão do Blogger. Enquanto os geeks trabalham, a gente vai arrumando a casa aqui. Todos os posts do Blogger foram copiados, mas estão sem os comentários antigos, por enquanto. Podem estar certos que farei todo o possível para reavê-los.

Ainda estou ajustando questões técnicas, então peço a quem perceba algum problema no template que me avise. Se tiverem alguma crítica ou sugestão sobre o novo visual, será muito bem vinda.

É bem provável que o feed mostre vários posts antigos sendo atualizados. Tem muita faxina pra fazer.

Comments 2 Comentários »

A Andrea perguntou sobre o assunto numa caixa de comentários e eu mandei-lhe um e-mail explicando a questão, mas como interessa a todos (e não apenas aos nerds de carteirinha) vou falar sobre isso aqui. É o tal negócio: para alguns isso é carne-de-vaca, pra outros é novidade total.

Feed é um arquivo que funciona como índice do conteúdo de um site. É um formato padronizado, e você pode “assinar” o feed com um programa ou site específico, sendo avisado quando o conteúdo for atualizado.

Algumas pessoas chamam de RSS, mas o RSS é apenas um dos formatos de feeds — existem outros, como o Atom, usado aqui no Blogspot. Mas isso são detalhes. O importante é que os feeds são a melhor forma de organizar o conteúdo que você lê na web.

O feed do Velho do Farol é esse aqui (está linkado na barra lateral, através do ícone laranjado). Abri-lo no navegador não vai mostrar muita coisa; bom mesmo é aprender como usá-lo.

Para assinar e gerenciar feeds, usamos os agregadores de conteúdo. Existem vários disponíveis, mas, para facilitar a vida do neófito, vou apresentar o mais popular e amigável deles, o Bloglines.

Ele tem uma interface bem simples e prática. Você abre uma conta (gratuita), clica em My Feeds e já pode ir adicionando seus favoritos. No painel esquerdo aparecem os feeds, e em negrito aqueles que foram atualizados. No painel direito, o conteúdo ou resumo dos posts ou notícias. Para vê-lo em ação, clique aqui e dê uma olhada nos feeds que eu estou assinando no momento.

Simples, né? Isso não é restrito a blogs, vários sites noticiosos (Folha, Estadão, BBC Brasil) usam feeds. Os usos são os mais diversos possíveis. Eu acompanho pelo Bloglines, por exemplo, os filmes que vazam na net, as novas extensões para o Firefox e até mesmo os blogs que linkam para o Velho do Farol.

Para achar o feed do seu blog favorito você tem duas opções. Uma delas é procurar na barra lateral deste por “RSS”, “Atom”, “XML”, “Syndicate this file” ou coisa que o valha; esse é o link para o feed. A outra é usar o Firefox ou o Opera, que avisam automaticamente quando existe um feed no site visitado.

O Internet Explorer 7 vai ter detecção automática de feeds, e vai usar o mesmo ícone que o Firefox já usa. Portanto, se você vir em algum lugar o simpático ícone que ilustra esse post, já sabe de que se trata.

Eu particularmente recomendo o uso do Firefox em conjunto com a extensão LiveLines, que com apenas um clique permite assinar o feed no Bloglines a partir da própria página que eu quer incluir. Mão na roda para quem é adicto por blogs novos…

Um último recado: o Blogger tem o recurso de feeds há um tempão, então não dá pros coleguinhas que têm seus blogs hospedados aqui deixarem de usá-lo. É muito simples de habilitar, basta ir no Painel, em Definições, Site Feed, e responder “sim” à primeira opção. A Daniela, por exemplo, tem um ótimo blog, que eu não acompanho com a devida atenção, pela falta desse recurso básico.

Comments 1 Comentário »

Por que eu demoro pra responder os comentários que deixam aqui no blog? Por que eu deixo de postar por um mês, sendo que passo pelo menos cinco horas por dia na net? Por que às vezes, quando alguém que eu nem conheço linka pra cá, sequer deixo um agradecimento em resposta? Por que eu nunca consigo escrever sobre as coisas que realmente me interessam? Por que todos os textos são longos e cheios de clichês? Por que a letra do template é tão grande que cada texto sempre parece um jornal?

Eu não sei por que, mas fico me lembrando disso aqui:

Tenho também meditado sobre a [minha] casa. Todas as partes da casa existem muitas vezes, qualquer lugar é outro lugar. Não há uma cisterna, um pátio, um bebedouro, um pesebre; são catorze (são infinitos) os pesebres, bebedouros, pátios, cisternas. A casa é do tamanho do mundo; ou melhor, é o mundo. (…)

Um após outro caem sem que eu ensangüente as mãos. Onde caíram, ficam, e os cadáveres ajudam a distinguir uma galeria das outras. Ignoro quem sejam, mas sei que um deles, na hora da morte, profetizou que um dia vai chegar meu redentor. Desde então a solidão não me magoa, porque sei que meu redentor vive e que por fim me levantará do pó. Se meu ouvido alcançasse todos os rumores do mundo, eu perceberia seus passos. Oxalá me leve para um lugar com menos galerias e menos portas. Como será meu redentor?”

E mais não cito, pois estragaria o melhor conto de Jorge Luís Borges. Acrescento apenas que quando me vêm algumas perguntas amontoadas, não me incomodo tanto, pois sei que meu redentor já pisa o mesmo chão que eu. Talvez eu o encontre breve; talvez demore ou eu nunca o veja; talvez eu já o tenha conhecido e não soube quem era. Mas ele já pisa o mesmo chão, e isso por enquanto é mais do que suficiente.

* * * * * * * *

Borges põe acima um pedacinho do Livro de Jó. Eu ainda não tinha lido o livro, antes de ver essas palavras num cartaz barato de um bar imundo. Parece perfeito para um êxtase religioso pós-moderno, não? Mas só deixou aquele aturdimento de olhar por cima de um muro e ver uma paisagem a perder de vista, sem ter como chegar a ela.

Comments Nenhum Comentário »

Belém vista do espaço

O Cláudio Costa publicou uma foto de satélite da praia de Ipanema, a propósito de falar do site Apolo 11, que divulga dados interessantes sobre geografia e astronomia.

Eu, invejoso que só, resolvi postar aqui essa imagem de minha querida cidade, Belém. A gravura foi montada a partir das fotos disponíveis no site do sensacional projeto Brasil visto do Espaço, da Embrapa.

O Marcelo Tas já o divulgou no Vitrine, mas não custa repetir: esse projeto fotografou toda a superfície do território brasileiro, por satélite, e montou mosaicos que permitem uma bela visão sobre a vegetação, relevo e hidrografia do país. Além do site, as fotos estão disponíveis num CD-ROM, e são imperdíveis não só pra quem precisa das informações como pra quem é simplesmente curioso pra ver um retrato de corpo inteiro do Brasil.

Como se pode notar, Belém está na ponta de uma península, e uma hidrografia acidentada a deixa um pouco isolada da Baía do Marajó. Isso foi importante para o fundador da cidade, o português Francisco Caldeira Castelo Branco, que construiu em 1616 o Forte do Presépio, marco inicial de Belém, num local de difícil penetração para os invasores franceses e ingleses. A região era estratégica, por ser o limite norte da linha do Tratado de Tordesilhas.

O que era bom na época, hoje dificulta a atividade do porto da cidade. A maioria dos grandes navios aporta em Vila do Conde, que está de frente para a baía e pode ser vista no canto inferior esquerdo da foto. A grande ilha a nordeste é o balneário de Mosqueiro, onde passei todos as minhas férias de verão, até a adolescência. Bons tempos aqueles.

* * * * * * * *

A partir deste post estou abandonando meu pseudônimo, Luciano Chardon (que usei em fóruns diversos por alguns anos), e passando a assinar com meu verdadeiro nome, Marcus Pessoa.

Minha participação na blogosfera, primeiro como comentador, depois como dono de blog, me permitiu conhecer várias pessoas inteligentes e espirituosas, chegando às vezes a um nível de amizade, e achei bobagem continuar me identificando com um nome que qualquer leitor de Balzac (como o Rafael Galvão) percebe imediatamente que é falso.

Também me causou forte impressão o artigo de Julio Daio Borges no Digestivo Cultural, criticando aqueles que escrevem na net com pseudônimos. Embora eu não me enquadre nos casos patológicos descritos no artigo, percebi que quem assina o seu nome, dando a cara pra bater, acaba sendo mais respeitado. É isso.

Comments 1 Comentário »

Descobri recentemente, levado pelo Liberal Libertário Libertino, o blog do Rafael Galvão, que me impressionou pela ótimo texto e insights inspirados. Tem um post onde ele fala sobre sua experiência de montar cavalos, comparando com a vaidade dos que guiam carrões, que me deixou boquiaberto.

Pois hoje ele se referiu ao meu nick, falando sobre Lucien Chardon de Rubempré, herói do maior romance de Balzac, “As Ilusões Perdidas”. Sua análise desse grande personagem da literatura dispensa qualquer adendo de minha parte. Vão lá e leiam. Prefiro apenas contar como o nick nasceu.

Ele se originou na época em que eu freqüentava os antigos grupos de discussão do UOL, que há alguns anos reuniam centenas de usuários fiéis, que gostavam de trocar informações sobre os mais diversos assuntos. Tinha muito companheirismo e ajuda mútua, mas também muita gente escrota e “barracos” virtuais.

Lá conheci um rapaz apelidado Raskholnikov (”Crime e Castigo”), e percebi que ele já usava o nick que era pra ser meu. A obra de Dostoievski foi o livro que mais me marcou em toda a minha vida. Bem, acabei homenageando outro de meus heróis literários, adotando o nome de Luciano de Rubempré.

Assim como o protagonista de Balzac, no meu nome verdadeiro o sobrenome da minha mãe também é mais “nobre” que o do meu pai, e até hoje eu uso o meu penúltimo nome como apresentação. Troquei para Lucien Chardon porque é mais curto e mais sonoramente francês. Voltei a aportuguesar o prenome porque ficavam achando que eu era mulher.

Update - Como você pode ver neste post, deixei de usar o pseudônimo, passando a usar meu verdadeiro nome.

Comments Nenhum Comentário »