Brigada Militar reprime protesto. Foto: Fernando Gomes

O governo do Rio Grande do Sul cancelou, sem decreto ou aviso oficial, os direitos constitucionais de reunião e manifestação no Estado.

Ameaçada de impeachment, por causa das gravações que mostram a participação dela no desvio de recursos públicos, a governadora Yeda Crusius nomeou o truculento coronel Paulo Roberto Mendes para comandar a Brigada Militar (a PM do Rio Grande).

Brigada Militar reprime protesto. Foto: Fernando Gomes

Mendes, autor da frase “Não tem jeito, tem que ir pro paredão”, já comandou várias ações de repressão violenta a movimentos sociais, e certa vez foi questionado na TV pelo assassinato de um pedreiro pela polícia em Gravataí, quando comentou: “Às vezes, se preocupam com uma eventual pessoa que a polícia tenha matado”.

O coronel foi nomeado com ordens expressas de sufocar violentamente as manifestações que se avolumam contra o governo de Yeda. Sem apoio, sem argumento e sem moral, a governadora partiu para a ignorância.

De ontem pra hoje a Brigada Militar já deixou dezenas de feridos, dispersando manifestações pacíficas com cassetetes, balas de borracha e gás lacrimogênio.

Brigada Militar reprime protesto. Foto: Fernando Gomes

Enquanto isso, a grande imprensa prefere ignorar o assunto, ou faz pior, como a Falha de S. Paulo, que publicou uma matéria ridícula onde diz que a Via Campesina tentou fazer saque a um supermercado.

Nem o Zero Hora, integrante do grupo de mídia que ajudou a eleger Yeda governadora, comprou essa versão mentirosa dos brigadianos. O repórter da Folha não estava lá e escreveu a matéria baseado exclusivamente do que disse a polícia.

É essa a nossa imprensa.

7 Respostas para “Estado de sítio”
  1. Josue diz:

    O Coronel Mendes é um ídolo aqui em Porto Alegre (e acredito em todo o estado). Por ser um homem sem muita cultura, que fala uma língua tipo do Lula, somando a sua “linha dura”, você pode ter certeza que toda a classe média gaúcha o adora, como eu.

    Talvez não seja a melhor forma de fazer policiamento e repressão, mas no atual “campo de distorção da realidade” do crime é o que resta.

  2. Marcus Pessoa diz:

    Ah, você adora a ditadura? Bom saber.

  3. Josue diz:

    Certamente não adoro a ditadura do movimentos sociais.

  4. Marcus Pessoa diz:

    Só a dos cassetetes.

  5. Ollie McGee diz:

    Acho que a polícia é truculenta mesmo, seja aqui em SP, no RJ ou no RS, mas o pior de tudo é ver que todos os grandes jornais do país estão fazendo coberturas parciais dos fatos.
    É o jornalismo do séc. XXI q deixou de lado o seu papel de informar para se tornar quase exclusivamente instrumento político conforme a ideologia daqueles que comandam as prensas…
    Eu, heim? O.o

  6. Silvia diz:

    Eu acho que é o poder econômico que domina a mídia (leia-se a assessoria de imprensa)

  7. Daniela diz:

    Pode parecer estranho, mas é o primeiro blog que vejo tratar do assunto sem emitir opiniões reacionárias. Está de parabéns!

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