
E você, que não mora no Rio Grande do Sul, talvez não saiba disso.
Ontem, no prosseguimento da crise de corrupção no Detran, o vice-governador Paulo Afonso Feijó (DEM) divulgou uma gravação de uma conversa sua com o chefe da Casa Civil da governadora, Cézar Busatto, onde este simplesmente admite que Yeda e os partidos que a apóiam se financiam com dinheiro público:
Um pequeno partido que ganha uma eleição dessas, precisa governar com maioria. E é um pouco o caso do PSDB no governo do Estado. Acaba tendo que fazer concessões a partidos aliados. Tu pegas tanto o Banrisul quanto o Detran. Eu não tenho dúvida de que é grande fonte de financiamento. Eu não creio que a governadora seja totalmente responsável por tudo isso. Quer dizer, é claro que ela é. Mas eu digo: o custo que teria romper com o Zé Otávio [Germano, deputado federal do PP]?
Este é só o trecho mais chocante da conversa, tem outros bem ruins além desse. O Rio Grande está uma terra em transe com os desdobramentos inevitáveis da crise, que devem ser ou a renúncia ou o impeachment da governadora. Estudantes cercaram o prédio da Assembléia Legislativa, e está marcada para a segunda feira uma passeata de caras-pintadas, que tudo indica será imensa e a pá de cal no governo da primeira mulher a ascender ao Palácio Piratini.
Mas veja o descaso dos grandes jornais brasileiros: apenas a Folha Online publicou em sua homepage chamada para o texto curto mas interessante de Josias de Sousa. Estadão e Globo Online fizeram apenas matérias internas; no caso do Globo, apenas uma notinha minúscula do Noblat.
Dá até pra tecer teorias conspiratórias de por que um governo do PSDB está caindo e tem tão pouco destaque, enquanto cada espirro dos aliados de José Dirceu contra a ministra Dilma Roussef ganha ampla cobertura. Mas isso fica pra outra oportunidade.
Atualização: agora que o Jornal Nacional finalmente lembrou que o Rio Grande existe, é capaz que o resto da imprensa acorde…
5 comments ↓
Essa questão de dois pesos e duas medidas na imprensa brasileira quando se trata de PT e PSDB já me rendeu muitas discussões com alguns professores no meu curso de jornalismo da Unama. Situações como estas só reafirmam minha posição e reduzem a credibilidade dos supostos “formadores de opinião”.
Seria natural ver spin doctors dizendo que “caso do RS é diferente”, que o “caso do PT é pior”, tentando achar pêlo em ovo (ou em suas cabeças calvas), para construir seus argumentos. Dois pesos e duas medidas é corriqueiro para quem faz política. É extremamente normal ser mais barulhento com escândalos “dos deles” do que “dos nossos”.
Agora quero ver como reagirão as lideranças “de esquerda” que endossaram a candidatura conservadora em território nacional, no ano de 2006, para defender a “ética na política”. Será que eles também tentarão argumentar que o caso do RS é diferente? Neste caso, seria um “dois pesos, duas medidas” anômalo. O delito dos deles seria o mais tolerável.
Já arrefeceu tudo. Não dará em nada…
Não arrefeceu, a imprensa é que se esforça para abafar.
meu comentario e sobre o valor da carteira de habilitaçao que a governadora disse que iria deminuir 1o%. mas apos o presidente das escolas de motoristas ter dito que poderia baixar ate 3o%, ela nao falou mais nada; sera que ela quer deixar ainda 20 % para continuar com a robalheira por debaixo dos panos. como e dificil acreditar em politicos, estao sempre ahcando um jeito de enganar a populaçao e sera que ela vai privatisar o banrisul; ja foi a varig a cx. econ.est. e agora ela como paulista quer obanrisul.
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