Se há uma coisa que me irrita num filme, é quando algum significado em uma cena já ficou totalmente claro, através de frases, olhares ou gestos, e depois alguém (um dos personagens, ou a narração em off) “explica” ao espectador aquilo que ele já entendeu…

O longa de estréia do norueguês Joachim Trier, Reprise, tem uma cena assim. Um dos protagonistas, o jovem escritor Erik, encontra seu ídolo literário, Sten Egil Dahl, num evento, e o aborda na saída do prédio.
O velho escritor é um homem recluso, mas dá uma chance ao rapaz, por causa da abordagem um tanto solene e respeitosa. Mas antes que Erik possa falar, aparece um conhecido dele, Mathis, espécie de filisteu literário, que também tenta falar com Dahl, mas de um modo frívolo, que denota o cabeça-de-vento que é.
Dahl olha com contrariedade e dá um jeito de se despedir dos dois rapazes, sem lhes dar muita atenção. Foi Mathis que arruinou uma possível conversa, mas é claro que daí em diante Erik também ficou registrado por Dahl como “pessoa a se evitar”.
O que temos logo em seguida? O narrador do filme dizendo que “na cabeça de S. E. Dahl, Erik e Mathis eram agora inseparáveis”. Ó raios! Terrível mania de alguns autores de achar que os espectadores são incapazes de chegar a conclusões simples como essa…
À parte esse comentário lateral, trata-se de um bom filme. Não vou resenhá-lo aqui, apenas dizer que é uma história bem contemporânea, sobre dois jovens amigos escritores, Erik e Phillip, vista sob um ótica de frieza e cinismo típicos da juventude intelectual urbana.
Não há melodrama, e talvez essa frieza, o vazio interior e a desesperança dos rapazes se deva a alguma idéia de “paraíso perdido”, um tempo de ingenuidade e alegria que se foi após um terrível colapso nervoso de Phillip, o mais brilhante deles.
Vale a pena conferir. Pra variar, não há previsão de lançamento no Brasil.
Download: BitTorrent e eMule
Legendas: em português e inglês


Posts (RSS)
maio 30th, 2008 às 11:13
O filme Cleópatra foi lançado há bem mais de 30 anos, mas obrigada pela sugestão assim mesmo!
maio 30th, 2008 às 14:04
Acho que deve ser um filme muito “cabeça” pro meu gosto cinematográfico básico, que aceita apenas comédias românticas com final feliz!!! O mundo já é complicado o suficiente, Na hora da diversão quero apenas rir ou chorar, de preferência os dois juntos.
junho 5th, 2008 às 0:38
Sem querer julgar o mérito do filme, mas pessoas que fazem julgamentos superficiais baseados em associações tipo esse Sten Egil Dahl não me parecem muito inteligentes… Sei lá. É só um palpite. Detestaria que alguém me julgasse dessa maneira.☺