
Vamos combinar. Control, a aclamada cinebiografia do líder do Joy Division, Ian Curtis, é um abacaxi.
O diretor Anton Corbijn é um fotógrafo de primeira linha, e há belos enquadramentos ao longo do filme. Se fosse um livro de fotos seria perfeito; como dramaturgia é indigente.
A história do Joy Division, da Factory e da explosão da cena rock de Manchester é ótima e já rendeu uma obra prima (24 Hour Party People, ou A Festa Nunca Termina). Corbijn transformou-a num tedioso dramalhão familiar suburbano, dentro de quartos fechados, com personagens inexpressivos e péssima utilização da música.
Os momentos musicais são curtos e não se vê grande ligação entre as músicas do Joy Division e o personagem Ian Curtis; é como se não fosse ele que as tivesse composto. Nos momentos não-musicais os atores falam tão baixo e com tão pouca entonação que eu cogitei de Corbijn estar tirando uma de Robert Bresson…
Eu lembro bem da comoção que foi o lançamento dos discos do Joy no Brasil, no final dos anos 80. Em tempos pré-internet, eu e meus amigos tirávamos xerox de uma edição portuguesa das letras da banda, e pudemos nos assombrar com a profundidade lírica e existencial do jovem Curtis. Era um rapaz muito atormentado e desencantado com o mundo, e seu suicídio é coerente com sua obra.
Por isso é risível e ultrajante a insinuação de que ele se matou apenas porque tinha epilepsia, ou porque sua esposa não aceitou seus casos extraconjugais.
Bem, os links estão aí embaixo, vejam por si mesmos (o filme ainda não tem data de estréia no Brasil). Mas, se quiserem um retrato vívido e superdivertido da mesma história, não deixem de ver 24 Hour Party People. Esse sim, é indispensável.
Download: BitTorrent e eMule (parte 1 e parte 2)
Legendas: em português e inglês
“Shadowplay” foi regravada pelos Killers especialmente para a trilha sonora do filme. Clique para ouvir.
SHADOWPLAY
Autoria: Joy Division
Interpretação: The Killers
To the centre of the city where all roads meet, waiting for you
To the depths of the ocean where all hopes sank, searching for you
I was oving through the silence without motion, waiting for you
In a room without a window in the corner I found truth
In the shadowplay, acting out your own death, knowing no more
As the assassins all grouped in four lines, dancing on the floor
And with cold steel, odour on their bodies made a move to connect
I could only stare in disbelief as the crowds all left
I did everything, everything I wanted to
I let them use you for their own ends
To the centre of the city in the night, waiting for you
To the centre of the city in the night, waiting for you

Posts (RSS)
fevereiro 12th, 2008 às 12:10
Adoro os Killers e se nao me engano soube deles pela primeira vez por voce, aqui. To curiosa pra ver esse filme, anyway. Sou meio viciada em biografias. Mesmo as ruins. A gente sempre aprende coisas com elas, ne?
Beijos! Tava com saudade daqui.
fevereiro 12th, 2008 às 16:38
Eu achei um errinho na transcrição da letra
“In a room with a window in the corner I found truth” - é sem janela, não com…. (mais asfixiante ainda…)
fevereiro 12th, 2008 às 18:02
Obrigado pelo aviso, Silvia. Já fiz a correção.
fevereiro 14th, 2008 às 17:07
Marcus,
Meu computador deu bug de novo. Será que a gente não programa uma sessão especial na tua casa? Eu e Barraton estamos vendendo os rins para ver esse filme!
Beejo!
fevereiro 14th, 2008 às 17:33
Boa idéia, Márcia. Entro em contato ainda hoje.
fevereiro 18th, 2008 às 11:38
Gostaria de agradecer publicamente o cordial convite que nos foi enviado para tão importante evento conduzido com garbo e maestria por vossa senhoria… Ahahahaha!! Adoramos o filme, adoramos a sessão, os pastéis, a cerveja, os comentários, os clipes especiais e, claro, a “lembrancinha” ao final. Por que será que sempre levamos um século para nos encontrarmos? Mesmo não tendo um acervo tão maravilhoso, minha casa está sempre aberta pra ti. Beijos, amigo, te adoro muito.
fevereiro 19th, 2008 às 2:00
Olha, eu adoraria ter participado da sessão também, porque vocês são o máximo, mas o filme…De fato, tedioso e altamente reducionista. O Ian era só um bobalhão inexpressivo do subúrbio? Ridículo. O problema básico é que o filme foi tirado da biografia escrita pela mulher, então tem esse olhar de esposa traída que aparentemente nem entendia o quanto o marido era genial, estava preocupada com o mundinho deles…Enfim, uma bela chance desperdiçada. 24 hours é bem melhor mesmo (menos a parte dos happy mondays).
fevereiro 20th, 2008 às 12:07
o livro é um pé no saco, vamos ver o filme…