O leitor Rômulo Marinho comentou o texto de Elio Gaspari sobre o conde Maurício Haritoff, publicado aqui há dois meses, e adicionou preciosas informações e/ou correções a ele. Estou publicando exatamente como ele escreveu.

A minha tia, irmã da minha mãe, casou-se com o neto do conde Maurício Haritoff e teve quatro filhos, todos com descendência carregando o sobrenome Haritoff. O Ivan mencionado no artigo, que morreu, era tio do meu tio, e minha mãe o conheceu quando ele freqüentava a casa da minha tia. Depois desapareceu e ninguém nunca soube do seu paradeiro.

Sobre a “negra” Regina houve um equívoco muito grande, talvez na ânsia de romantizar ainda mais a história e torná-la mais atrativa aos olhares brasileiros, dizendo que ela era negra e ex-escrava. Minha mãe a conheceu também e ela era filha de índios, e não de negros, e nunca havia sido escrava. Era filha de um empregado da fazenda, tinha traços finos, olhos puxados e cabelos escorridos.

Quando eu era criança ouvi varias histórias contada por minha tia. E a mais intrigante era que esse homem excêntrico tinha um mordomo na casa grande da fazenda Aliança, que servia a mesa e abria a porta, e que era um macaco. Isso mesmo: um macaco.

Se era um chimpanzé grande ou um gorila eu não sei, mas só sei que numa noite chuvosa um casal de amigos veio visitar o conde, e quando seu mordomo (o macaco) abriu a porta a mulher se assustou, e seu marido atacou o macaco com seu guarda-chuva. Para evitar a ira do macaco o conde Maurício acertou-lhe um tiro matando-o. A partir de então ele cortou relações com esse casal causador de muita magoa pela morte de seu adorado mordomo.

Sobre a fazenda que o conde, sua Nicota, e depois dona Regina e seus filhos moraram, era a Santa Aliança, em Piraí e nao em Barra do Piraí, embora os Breves possuíssem muitas fazendas em Barra também.

A casa deles em Laranjeiras atualmente é, salvo engano, a escola Rodrigues Alves, e não José de Alencar. A casa, embora preservada, encontra-se completamente descaracterizada, não mantendo nem um pouco da suntuosidade que possuía na época em que residiram lá.

Os descendentes do conde e de dona Regina encontram-se morando em Niterói e no Rio.

3 Respostas para “Mais Haritoff”
  1. Velho do Farol » História romanesca diz:

    [...] na caixa de comentários, preciosas informações e correções ao texto acima. Publiquei-as em um outro post aqui do [...]

  2. Luis Augusto de Lima diz:

    Mais lenha nessa fogueira dos Haritoff. Minha bisavó gabava-se de ser a primeira “Vera” registrada no Brasil. O nome de batismo dela foi uma homenagem a Vera Haritoff de quem era parenta indireta, pois que era filha de Gustavo Adolpho de Suckow e Rita Clara Breves Monteiro de Barros. Era neta do Major Suckow, fundador do Jóquei Clube Brasileiro e dono de uma empresa de transportes públicos na corte (”o Major dos carros”).
    Mais tarde, D.Vera de Suckow tornou-se a senhora Antonio Augusto de Lima (1859-1934), poeta, político, deputado federal, ex presidente do Estado de Minas Gerais (1891)e membro da Academia Brasileira de Letras (presidente em 1928).

  3. Paullo Soares diz:

    Gostaria mto de conhecer a Senhora Maria Luiza Leão, atual proprietária da Fazenda Bella Aliança, afinal um de meus sonhos é conhecer o casarão, mesmo que seja por fora.

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